Retrato de Felipa Almeida

Sobre

Felipa Almeida, Lisboa, 1979

Apaixonada por objetos e pela importância que têm na construção de rituais e da nossa memória, coloco a minha energia na pesquisa, curadoria e divulgação de técnicas artesanais ancestrais, bem como de artistas e artesãos. Sou formada em História de Arte, em Estudos Curatoriais, e em Design, com uma passagem por Antropologia. Todas estas influências se encontram no trabalho que hoje desenvolvo. Durante três décadas estudei e trabalhei no estrangeiro – Paris, Genebra, Londres. Em 2006 regressei e estabeleci-me em Lisboa, a cidade onde nasci.

No meu atelier no bairro de Campo de Ourique estou rodeada dos livros e dos objetos por que me fui apaixonando ao longo dos últimos anos. É neste ambiente que desenvolvo um trabalho que celebra a mestria, o belo e o genuíno. É também aqui que recebo os visitantes das feiras temáticas que promovo e que mostram o artesanato português tradicional e contemporâneo.

Outra parte do meu trabalho faz-se no terreno, em visitas a ateliers de artistas e artesãos, a fábricas, a feiras e mercados, museus e galerias. É uma componente importante da pesquisa que desenvolvo para os projetos, mas também para coleções personalizadas que construo respondendo a pedidos de clientes específicos.

Paralelamente, sempre que possível, gosto de lançar desafios a artistas e participar nos processos criativos que resultam na criação de objetos únicos.

Acredito que há pessoas para fazer e pessoas para apreciar, e outras para falar, para escrever. Eu sinto que faço parte desta cadeia a pôr em relação, a mostrar, a escolher, a estimular, a desafiar, a valorizar. A dar luz.

Feiras

Defino um tema para a feira e a partir daí tudo acontece. Faço as pesquisas das peças, seja pela temática seja pela paleta de cores definida, e vou depois aos ateliers fazer as encomendas. Trabalho com peças do artesanato tradicional português e desafio artistas e artesãos contemporâneos a responder aos temas. As feiras acontecem no meu atelier, em Campo de Ourique, Lisboa, e agradam-me especialmente os diálogos que se estabelecem entre todos os objetos que ali se apresentam.

Colecções

Faço coleções por encomenda, correspondendo ao gosto e desejo de cada cliente. Procuro as peças em leilões, antiquários, feiras e mercados. Uma época, uma região, um tema dão o mote para a minha pesquisa, que faço de forma sistemática, direcionada e personalizada. 

Curadoria

Pode ser a decoração de um espaço, uma campanha publicitária, uma peça de artesanato de arte. Respondo às necessidades dos clientes apresentando uma estética, um ambiente para comunicar, e a partir daí vou em busca das peças que lhe dão corpo. Gosto de seguir de perto o percurso entre os objetos e o produto final, acompanhando, por exemplo, os artesãos em todos os momentos do seu processo de trabalho até à entrega das peças. Aconteceu na campanha Feito Devagar para o Monte Velho, em que escolhi os artesãos cujas obras iriam ilustrar a ideia de lentidão no labor da tapeçaria de Arraiolos, na olaria do Redondo, ou na azulejaria. Mais recentemente, no projeto Ria Formosa, em que a partir de uma ilustração de Henriette Arcelin definimos três desenhos distintos que deram origem a duas tapeçarias, uma de Portalegre outra de Arraiolos, e a peças de cerâmica executadas em parceria com a fábrica Viúva Lamego (apresentados em maio em Lisboa na feira de artesanato de arte Lisbon by Design).

Livro de Reclamações