MORINGUE VAZIO NÃO CARREGA SÓ VENTO
Exposição • 2025
A exposição “Moringue vazio não carrega só vento” foi apresentada no atelier em Lisboa de 18 a 20 de Setembro com algumas peças inéditas.
Foi também lançado o livro homónimo, editado com Maria Manuela Restivo. Visitámos várias coleções privadas e museológicas, reunindo exemplares antigos de moringues de várias regiões de Portugal. Do Minho a Trás-os-Montes, passando pela Beira Alta, Lisboa, Oeste, e claro, o Alentejo, a justaposição destes objetos históricos com as peças criadas agora por artistas contemporâneos permite-nos ver, lado a lado, as permanências e as transformações.
O moringue não é apenas um objeto funcional. A sua forma, com dois gargalos – um para beber e outro para servir – remete-nos para um gesto de partilha. A sua presença no campo, levado por homens e mulheres para o trabalho agrícola, inscreve-o numa prática de comunidade: o moringue serve, refresca, conserva. E hoje, resiste.
Trazer o moringue ao presente é, também, lançá-lo para o futuro. Não como relíquia, mas como símbolo de outras formas de estar e de partilhar. E se já não transporta água, talvez transporte essa ideia.